Mais barato que a
versão de luxo, o Chevette Jeans mostra
acabamento aceitável.
Com
o lançamento do Chevette Jeans, apresentado
ao público no último Salão
do Automóvel, a General Motors do Brasil
entra mais decididamente na disputa da faixa
jovem do mercado. A idéia em sí
não é nova, pois segue a mesma
filosofia da Wolkswagem com o Passat Surf.
Ou seja, oferecer um veículo de aparência
jovem e descontraída, não "depenado",
mas menos dotado de opcionais, por um preço
pouco acima do modelo básico da linha.
E mesmo a Gurgel lançou, tempos atrás,
um jipe X-12 Blue Jeans que tinha capota e
estofamento em brim especial, tipo calça
rancheira.
A
versão jovem do Chevette traz o revestimento
do bancos e todo o acabamento Interno confeccionado
em tecido Jeans azul, e pode ser adquirida
apenas em três cores: Branco Everest,
Azul Iguaçu e Prata Diamantina Metálica
( esta última um pouco mais cara por
causa da pintura metalizada). E indentificada
pelo decalque "Jeans" nas laterias,
só existe no modelo de duas portas
e tem as seguintes características:
bancos dianteiros reclináveis de encosto
alto, volante de direção, painel
de instrumentos e descansa-braço em
cor preta, tapetes de "nylon", tampa
do porta-luvas com chave, freio de estacionamento
com cobertura, molduras no pára-brisa
e na vigia traseira, pára-choques pretos
dotados de protetores, desembaçador
e acendedor de cigarros e rodas esportivas
opcionais.
Consumo
Com
a adoção do novo carburador
de duplo corpo e duplo estágio, opcional
neste modelo, o Chevette Jeans logrou obter
uma nota máxima para este item, tendo
sido mesmo um dos veículos mais econômicos
entre os automóveis nacionais já
testados pela AUTO ESPORTE. Após todas
as verificações, de acordo com
o padrão de pontuação
ponderada que adotamos, o carro registrou
média geral de 11,3 km/litro, com o
que superou seus concorrentes mais próximos
e chegou praticamente a igualar o Fiat 147.
Em
cidade, considerando o peso 3 para as marcas
de centro urbano. 2 para bairros periféricos
e vias expressas, a média foi de
10,2 km/litro, muito boa. Em estrada o índice
geral foi de 13,9 km/litro, com 13,7 km/litro
para os trechos movimentados, procurando
manter 80 km/h no velocímetro, e
a excelente marca de 15,2 km/litro para
a mesma velocidade constante em quarta marcha
e em trechos planos.
Logicamente,
esta última marca pede condições
ideais de tráfego para ser alcançada.
Mas os 13,7 km/litro em estrada normal e
movimentada, obtidos no sistema Anhanguera
- Bandeirantes, já mostram o bom
trabalho desenvolvido pela GM no novo carburador.
Desempenho
Mesmo
com o novo carburador, e apesar de ser mais
leve do que outras versões da linha
o Chevette Jeans não mostrou melhorias
nas acelerações de arrancada
ou de retomadas de velocidade. Suas marcas
se mantiveram praticamente iguais às
obtidas em testes de outras unidades e mesmo
similares àquelas reveladas pelo
Chevette de quatro portas, mais pesado.
Já
a velocidade máxima foi beneficiada
pelo novo carburador tendo chegado a 142,8
km/h, com o quilômetro lançado
percorrido em exatamente 25,2 segundos.
Isto representa pelo menos 5 km/h a mais
do que os outros Chevettes já analisados
por nossa equipe. Mas como velocidade
final hoje tem menos importância
face às medidas de contencção
de gasolina e as marcas de aceleração
não melhoraram, este item foi considerado
apenas satisfatório.
No
tocante aos freios, a nota boa foi dada
mais pela trajetória sempre reta
que o Chevette descreve ao ser freado
em emergências. Porque os espaços
e tempos necessários para a parada
total foram mais longos um pouco do que
o ideal.
Estabilidade
Neste
item mais uma nota máxima para
o carro pequeno da GMB. O Chevette continua
a ser um veículo bastante estável
em curvas, capaz de enfrentar tomadas
mais esportivas sem comprometer a aderência.
As fugas registradas durante nossos testes
só ocorreram em situações
mais extremas, quando o Chevette Jeans
foi levado até seu limite. São
fugas frontais leves, que não comprometem
a nota máxima.
Outras
notas máximas foram conferidas
para direção e suspensão.
O sistema de direção do
Chevette continuas muito leve e preciso,
obediente e correto nas respostas, conferindo
ao carro um elevado nível de
maneabilidade. O volante de quatro raios
tem ótimo tamanho e empunhadura
perfeita, não encobrindo qualquer
parte dos mostradores. Sua leve inclinação
para a esquerda não afeta a dirigibilidade,
e em pouco tempo o motorista se habitua
com ela, deixando até de senti-la.
Quanto
à suspensão, o trabalho
á firme e silencioso, com todas
as irregularidades do piso sendo absorvidas
e não compromentendo o conforto
no habitáculo. A vantagem, porém,
está em que o Chevette consegue
isto sem alterar seu padrão de
estabilidade. Os pneus radiais, opcionais
no Jeans, são muito bons e altamente
recomendáveis para melhorar a
segurança e ajudar a reduzir
o consumo.
Já
o conforto interno, quando visto do
prisma do espaço para motorista
e passageiros, fica um tanto comprometido.
Na frente não há problemas
de acomodação ou acesso.
Mas no compartimento traseiro as coisas
já se complicam, especialmente
se o motorista preferir usar seu banco
bem recuado para dirigir.
Nível
de ruído interno continua bom
no Chevette Jeans, mostrando que o acabamento
tipo jovem e descontraído não
precisa, necessariamente, prejudicar
este importante item de conforto e segurança.
O novo revestimento do estofamento não
diminuiu o conforto
Comandos
A
nota máxima surge como um prêmio
ao sistema de comandos do Chevette,
especialmente quando dotado dos vários
opcionais. A GM conseguiu realmente
um ótimo padrão de funcionalidade
para a única alavanca que seu
carro pequeno traz ao lado esquerdo
da coluna de direção,
centralizando ali seis comandos diferentes:
sinalizador de direção
com retorno automático, lampejador
dos faróis, troca de facho alto/baixo
nos faróis, borrito elétrico
para o pára-brisa, e acionamento
das palhetas com duas velocidades. Todas
essas funções são
bem definidas, tem posições
e manejo precisos, permitindo o acionamento
de qualquer delas sem afastas a mão
do volante.
Já
o painel não acomapanha a mesma
excelência, sendo um tanto pobre.
A nota foi apenas razoável, não
caindo mais em razão da boa visibilidade
de todos os instrumentos em qualquer
situação.
O
acabamento geral é bom, apesar
de ser uma versão requintada,
e o tecido tipo Jeans tem a vantagem
de não aquecer muito nos dias
quentes. O interior do carro convence,
não parecendo "depenado".
Porta-malas continua ótimo para
a categoria e a segurança do
modelo é adequada.
Conclusões
Graças
ao novo carburador de duplo corpo e
duplo estágio(opcional), o Chevette
Jeans revelou boas marcas de consumo,
podendo ser considerado um veículo
realmente muito econômico. Em
contrapartida, seu desempenho(como,
aliás, o de todas a linha Chevette),
deixa a desejar. Mas, com a velocidade
máxima permitida é de
80km/h, ele não chega a comprometer,
apenas não satisfaz plenamente.
Estabilidade
é o ponto alto do modelo cuja
imagem descontraída agrada ao
público mais jovem e atrai o
comprador que quer gastar menos, mas
não se sente motivado pela versão
básica.
Seu
preço é apenas Cr$3.360,00
mais elevado que o do Chevette básico.
Do jeito que sai de fábrica,
o Jeans custa Cr$107.377,00, já
incluídos os acessórios
normais de linha, descritos na abertura
do teste. Outros opcionais são
disponíveis para o modelo, que
pode ser equipado de acordo com o gosto
do proprietário. Alista inclui
o carburador de duplo corpo e duplo
estágio (Cr$643,40), os pneus
radiais (Cr$3.092,60), os vidros rayban
(Cr$1,874,20), as janelas traseiras
basculantes (Cr$435,40), o temporizador
para os limpadores de pára-brisa
(Cr$899,60), o servofreio (Cr$1.632,90),
o filtro de ar para regiões poeirentas
(Cr$379,20), o aquecedor do habitáculo
(Cr$1.295,90) e o desembaçador
térmico do vidro traseiro (Cr$633,70).
Assim completo, seu custo inicial sobe
para Cr$ 118.263,90. E a verdade é
que com exceção do filtro
de ar para poeira, do aquecedor interno,
das janelas basculantes e dos vidros
rayban, todos os demais opcionais são
bastante desejáveis, em nome
da economia e da segurança.
Quando
todo equipado, o Chevette Jeans se mostra
um carrinho bastante satisfatório
e gostoso de dirigir, o que ajuda bastante
na aceitação e fixação
de sua imagem jovem e descompromissada.